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XVII SEMANA ANTIALCOÓLICA DO IFL-2011

Programação

10/01/2011 – SEGUNDA FEIRA

19h30min – Apresentação do IFL e da diretoria pelos seus fundadores.

11/01/2011 – TERÇA FEIRA

19h30min – Apresentação da CAM pelos responsáveis e mantenedores (Intervir).

12/01/2011 – QUARTA FEIRA

15h – Reunião de Apoio para recuperandos – aberta ao público em geral.
19h30min – Apresentação das atividades do IFL (Psicologia, Oratória, Esperanto, Plantão, Informática, Emocionais Anônimos, Família, Reik, Curso de Plantonista, Bazar, Assistência Social e Jurídica.

13/01/2011 – QUINTA FEIRA

19h30min – Palestra sobre a Dependência Química – álcool e outras drogas.

14/01/2011 – SEXTA FEIRA

15h – Reunião de Apoio para recuperandos – aberta ao público em geral
19h30min – Apresentação da AAESP (Associação Antialcoólica do Estado do São Paulo) por seus representantes.

15/01/2011 – SÁBADO

16h – Apresentação do AA (Alcoólicos Anônimos) por seus representantes.

16/01/2011 – DOMINGO

16h – Término da Semana Antialcoólica, com a entrega de medalhas e a comemoração do 43º aniversário do IFL.

COORDENAÇÃO – RA – IFL

Almoço a Italiana

Venha se deliciar com as especialidades da cozinha italiana e conhecer a CAM – Comunidade de Apoio Mútuo, em Itapacerica da Serra, sob nova direção técnica da Associação Intervir.

  • Vai ter talharini, espaguetti e lasagna com vários tipos de molhos.
  • Tudo isso feito com muito carinho por nossa equipe.
  • E ainda participe do bingo e de um sorteio surpresa.

Data: 12/12/2010
Garanta seu ingresso no seguinte endereço, até o dia 07/12/2010

Rua Santo Amaro, 244 – Bela Vista
Estação Metrô Anhangabaú
Para mais informações, ligue:
(11) 3104-6707 ou (11) 3203-0989
Para passagem de ônibus, reserve até o dia 07/12/2010.

Ingressos: R$ 12,00 (por pessoa)
Caso você não tenha carro, adquira sua passagem de ônibus: R$ 12,00 (por pessoa)

Curso: Alcoolismo – Prevenção e Orientação

Curso Gratuito – 111ª Turma

Com Professores, Médico, Psicólogos

e Assistentes Sociais

 

Objetivos do curso:

O curso tem por objetivo preparar pessoas para um trabalho em benefício daqueles que apresentam problemas com alcoolismo.

 Programação do curso:

* Apresentação do IFL
* Serviços de prevenção
* Reunião de apoio
* Neurolingüística
* Patologia do alcoolismo
* Dependência/recaída
* O ciclo vicioso da dependência química
* Família co-dependência
* Ajuda voluntária
* Técnicas de entrevista
* A importância do autoconhecimento

Realização dos cursos:
Escolha o dia de sua preferência – às quartas-feiras ou aos sábados.

Turma às quartas-feiras:
Início: dia 15/09/2010, às 19h30

Turma aos sábados:
Início: dia 18/09/2010, às 16h00

Vagas Limitadas

Informações e inscrições:
Instituto Fraternal de Laborterapia
Rua Santo Amaro, 244 – Bela Vista
Fone: 11 3104 6707
Site:
www.ifl.org.br
E-mail: ifl@ifl.org.br

 

Reunião de Apoio:
De segunda a sexta-feira, às 19h30
Sábado, Domingo e Feriado, às 16h00

Palestra: Auto-Estima

Dia 29 de Agosto de 2010 – Domingo– das 10:00 as 12:00 horas

Palestra com: Dr. Adão Nonato

Psicanalista, Psicólogo, Advogado

 

Informações e Inscrição:

Tel.: (11) 3104-6707

Endereço: Rua Duarte de Azevedo, 686, Santana
Próximo ao Metrô Santana

Entrada: R$ 20,00

 

Curso básico de Esperanto

Olá amigos!
 

Curso básico de Esperanto no IFL – Instituto Fraternal de Laborterapia


Curso gratuito.
Custo do livro: R$10,00
Aos sábados.
Início: 07 de agosto de 2010
Horário: das 13h00 às 15h00
Final: 11 de dezembro de 2010
 
Inscrições no primeiro dia de aula.
 
Rua Santo Amaro, 244
Bela Vista – São Paulo
Fone: (11) 3104-6707

Palestra – Tema: Medo

Instituto Fraternal de Laborterapia convida:
Dia 25/07/2010 (domingo), das 09h30 às 12h00

 

Palestrante

 

MARLI RODRIGUES

* Psicóloga

* Orientadora Metafísica

* Apresentadora RBN (Programa Ser é Sentir)

* Atendimento individual em Grupo (Consultório)

 

* Vagas Limitadas *

Endereço:
Rua Santo Amaro, 244 – Bela Vista
Próximo ao Metrô Anhangabaú

Inscrição:
Tel.: 11 3104 6707
E-mail:
ifl@ifl.org.br

Entrada:
* 3 kg de alimentos não perecíveis ou
* R$ 10,00 (dez reais)

Drogas e crime

Consumo de drogas é crime, sim! 
João Marcos Adede Y Castro* 

Tem-se ouvido muito, nos últimos tempos, que consumir ou portar drogas para consumo não é crime, o que é uma rematada bobagem. Crime é uma figura típica, ou seja, um comportamento humano que a lei descreve como crime, ilícita e, por isto, punível. 

Ora, a Lei Federal 11.343/206, em seu capítulo III – Dos crimes e das penas, em seu artigo 28, descreve como crime adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trazer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar e prevêe as penas de advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade e/ou medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 

Caso o réu condenado a estas penas não as cumpra, sem justificativa, o juiz o submeterá sucessivamente a admoestação verbal ou multa. 

Mesmo que sejam penas de difícil aplicação, não são apenas “conselhos” dados pelo juiz ao réu, mas sanções, ou seja, comportamentos a que ele obrigatoriamente deverá atender. Isto é sanção, não recomendação! 

É certo que a Nova Lei de Tóxicos fixa outras medidas, estas, sim, de caráter civil, no sentido de estabelecer uma política nacional de combate às drogas, de atendimento às necessidades dos usuários e da família, mas não deixou de considerar o uso como crime. Apenas substituiu as penas de prisão por penas educativas, mas, decisivamente, penas. 

Se consumir drogas não fosse crime, porque a lei puniria o traficante? Afinal, ele estaria apenas praticando um ato legal de comércio. Ninguém pode ser punido por vender uma mercadoria não proibida, que a sociedade não considere prejudicial aos seus interesses. 

Se consumir drogas não fosse crime, poderia a autoridade policial “prender” quem a consome? Não, evidente, pois isto seria um abuso de autoridade. Poderia o Ministério Público denunciar alguém por um ato que a lei não considera crime? 

Poderia o Poder Judiciário condenar uma pessoa que foi flagrada consumindo drogas? Se condenando, estaria o réu autorizado a não cumprir a ordem? Não, não e não. 

O fato de a lei dar ao usuário um tratamento diferente daquele que dispensa ao traficante, voltando-se mais a medidas que “parecem” conselhos, orientações e recomendações, não retira do uso a condição de crime. Se você não acredita, entre no site de qualquer tribunal e digite “consumo de drogas”. Você não vai acreditar no número espantoso de condenações pelo crime de consumo de drogas. 

Viu? 

*Promotor de Justiça 

Fonte: Zero Hora, 22/05/10

OMS vai combater abuso e consumo excessivo de álcool

A estratégia global para reduzir o uso perigoso de álcool foi adotada por consenso na assembleia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Suas 10 principais recomendações, formuladas após dois anos de negociação, não são obrigatórias, mas servem como diretrizes aos 193 países membros da OMS. 

“O álcool contribui para acidentes, problemas de saúde mental, problemas sociais e prejudica terceiros,” disse Bernt Bull, alto assessor do Ministério da Saúde da Noruega. Os países nórdicos, muitos dos quais já possuem restrições severas à venda de bebidas, lideraram a iniciativa na agência da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Um imposto relativamente alto sobre as bebidas alcoólicas e regulações limitando a disponibilidade delas têm ajudado a reduzir as doenças relacionadas ao álcool, disse ele. 

A OMS estima que os riscos associados ao álcool causem 2,5 milhões de mortes por ano decorrentes de doenças cardíacas e hepáticas, acidentes automobilísticos, suicídios e cânceres diversos – 3,8 por cento de todas as mortes. É o terceiro principal fator de risco para mortes prematuras e invalidez em todo o mundo. 

“O álcool normalmente não é percebido como um assassino, embora seja,” disse Shekhar Saxena, diretor do departamento de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, em entrevista coletiva. 

Apesar do abuso crescente e dos jovens começando a beber mais cedo em muitos países, metade dos membros da OMS não tem uma política nacional para o álcool, de acordo com o especialista da OMS Vladimir Poznyak. 

“As maiores mudanças devem acontecer nos países que não têm instituições de controle do álcool ou uma estrutura regulatória para o consumo de álcool,” disse ele a jornalistas

Fonte: O Globo, 20/05/10

Saúde Mental

Saúde Mental -  PEAD

Ministério lança Plano Emergencial de Ampliação de Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool  voltado a crianças, adolescentes e jovens em situação de grave vulnerabilidade social

Em junho de 2009, o ministério lançou o Plano Emergencial de Ampliação de Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (PEAD) voltado  aos 100 maiores municípios brasileiros (com mais de 250 mil habitantes), todas as capitais e 7 municípios de fronteira selecionados, totalizando 108 municípios. Essas cidades somam 77,6 milhões de habitantes, que corresponde a 41,2% da população nacional.

O plano busca alcançar, prioritariamente, crianças, adolescentes e jovens em situação de grave vulnerabilidade social, por meio das ações de prevenção, promoção e tratamento dos riscos e danos associados ao consumo prejudicial de substâncias psicoativas. Para atingir os objetivos, foram previstos 4 eixos de atuação:

 - ampliação do acesso,

- qualificação dos profissionais,

- articulação intra/intersetorial,

- promoção da saúde, dos direitos e enfrentamento do estigma.

Como parte do PEAD, a área de Saúde Mental, lançou o Edital (SAS/SVS nº 01/2009) para apoio a projetos de redução de danos com o objetivo de ampliar o acesso aos serviços de saúde, melhorar e qualificar o atendimento oferecido pelo SUS às pessoas que usam álcool e outras drogas.

A área técnica também elaborou a I Chamada para Seleção de Consultório de Rua e Redução de Danos – a iniciativa selecionou 12 Projetos de Consultório de Rua que receberão, em 2009/2010, R$ 700 mil para fomentar ações realizadas nas ruas, nos termos da Portaria GM 1059/2005.

Em novembro de 2009, foi realizada a 1ª reunião do Comitê de Acompanhamento e Avaliação do PEAD. O Plano, no entanto, se estende até 2010 e ainda temos os desafios de ampliar a cobertura de serviços públicos dirigidos ao cuidado da dependência de álcool e outras drogas. Abaixo, alguns resultados já atingidos pelo PEAD em 2009:

• 28 CAPS cadastrados em cidades do PEAD: 17 CAPSad, 6 CAPSi e 5 CAPS III (24 horas)
• Projetos de Consultório de Rua: 14 projetos-piloto aprovados
• Edital para projetos de redução de danos (Saúde Mental e DST/Aids) – 24 projetos aprovados
• Escola de redutores de danos – 10 projetos aprovados
• Aumento das diárias dos Serviços Hospitalares de Referência para Álcool e Drogas (reajuste médio de 31%

Veja conteúdo da Portaria nº 1.190, 4 de junho de 2009 -  Institui o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas no Sistema Único de Saúde – SUS (PEAD 2009-2010) e define suas diretrizes gerais, ações e metas.  

Fonte: portaldasaude.gov.br

Abuso de drogas.

A diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas afirma que nem mesmo a maconha nem muito menos a DMT, presente no chá do Santo Daime, podem ser consideradas inofensivas

A psiquiatra mexicana Nora Volkow, 54 anos, é uma das mais importantes pesquisadoras sobre drogas no mundo. Quando, porém, o assunto são os danos neurobiológicos que essas substâncias causam, Volkow pode ser considerada a número 1. Foi a psiquiatra quem primeiro usou a tomografia para comprovar as consequências do uso de drogas no cérebro e foi também ela quem, nos anos 80, mostrou que, ao contrário do que se pensava até então, a cocaína é, sim, capaz de viciar. Desde 2003 na direção do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, nos Estados Unidos, Volkow esteve no Brasil na semana passada para uma palestra na Universidade Federal de São Paulo. Dias antes de chegar, falou a VEJA, por telefone, de seu escritório em Rockville, próximo a Washington.

Há quinze dias, um cartunista brasileiro e seu filho foram mortos por um jovem com sintomas de esquizofrenia e que usava constantemente maconha e dimetiltriptamina (DMT), na forma de um chá conhecido como Santo Daime. Que efeitos essas drogas têm sobre um cérebro esquizofrênico? Portadores de esquizofrenia têm propensão à paranoia, e tanto a maconha quanto a DMT (presente no chá do Santo Daime) agravam esse sintoma, além de aumentar a profundidade e a frequência das alucinações. Drogas que produzem psicoses por si próprias, como metanfetamina, maconha e LSD, podem piorar a doença mental de uma forma abrupta e veloz.

Que efeitos essas drogas produzem em um cérebro saudável? Em alguém que não tenha esquizofrenia, os efeitos relacionados com a ansiedade e com a paranoia serão, provavelmente, mais moderados. Não é incomum, porém, que pessoas saudáveis, mas com suscetibilidade maior a tais substâncias, possam vir a desenvolver psicoses.

Estudos conduzidos pela senhora nos anos 80 provaram que a cocaína tinha, sim, a capacidade de viciar o usuário e de causar danos permanentes ao cérebro. Até então, ela era considerada uma droga relativamente “segura”. Existe alguma droga que seja segura no que diz respeito à capacidade de viciar e de causar danos à saúde? Não existe droga segura, a não ser a cafeína. Como ela é estimulante e produz efeitos farmacológicos nos receptores de adenosina, é, sim, uma droga. Mas não há evidências de que vicie nem de que seja tóxica – a não ser que você tenha problemas cardiovasculares. Ainda não sabemos se é prejudicial a crianças e adolescentes, mas para adultos não há nenhum problema.

E a maconha? Há quem veja a maconha como uma droga inofensiva. Trata-se de um erro. Comprovadamente, a maconha tem efeitos bastante danosos. Ela pode bloquear receptores neurais muito importantes. Estudos feitos em animais mostraram que, expostos ao componente ativo da maconha, o tetraidrocanabinol (THC), eles deixam de produzir seus próprios canabinoides naturais (associados ao controle do apetite, memória e humor). Isso causa desde aumento da ansiedade até perda de memória e depressão. Claro que há pessoas que fumam maconha diariamente por toda a vida sem que sofram consequências negativas, assim como há quem fume cigarros até os 100 anos de idade e não desenvolva câncer de pulmão. Mas até agora não temos como saber quem é tolerante à droga e quem não é. Então, a maconha é, sim, perigosa.

A senhora concorda que ela seja a porta de entrada para outras drogas? Se você olhar os dados, verá que a maior parte dos usuários de cocaína começou com a maconha. Mas, ao olharmos os dados de quem fuma maconha, veremos que essas pessoas geralmente começaram com cigarros ou álcool. Qual seria a verdadeira droga de entrada, então? Uma das leituras sobre essa questão é que, durante a adolescência, as pessoas bebem e fumam cigarros porque esses produtos estão disponíveis e são legais e, quando crescem, elas se tornam propensas a usar drogas mais pesadas. Uma leitura alternativa é que a exposição à nicotina e ao álcool na juventude faz com que as pessoas fiquem mais vulneráveis aos efeitos de outras drogas. Para mim, essa é a hipótese correta. A exposição precoce às drogas muda a sensibilidade do sistema de recompensa do cérebro. Como esse sistema se torna menos sensível, os dependentes químicos buscam uma compensação nas drogas.

Por que em geral as pessoas começam a usar drogas na adolescência? O cérebro do adolescente é muito menos conectado do que o de um adulto. Como resultado, os adolescentes não conseguem controlar e regular a intensidade de suas emoções e desejos da mesma forma que os mais velhos. Isso faz com que vivam de maneira mais vigorosa, mas, ao mesmo tempo, assumam riscos maiores, como experimentar drogas.

O uso de drogas na adolescência é mais perigoso do que na vida adulta? Certamente, porque o cérebro de um adolescente é mais plástico e mais sensível aos estímulos externos que vão moldá-lo. A forma que seu cérebro vai tomar na idade adulta depende muito dos estímulos que você recebeu quando criança e adolescente. O risco de desenvolver o vício também é maior para o adolescente. O motivo é o mesmo: a plasticidade cerebral nessa fase, que faz com que o jovem apreenda informações muito mais facilmente do que o adulto.

Por que é tão difícil quebrar o ciclo de desejo, compulsão e perda de controle que o vício traz? É difícil porque o cérebro, em consequência do uso de drogas, é modificado de maneira física. A dependência química é uma doença cerebral que muda a bioquímica, a função e a anatomia do cérebro. Ocorre da seguinte maneira: todas as drogas aumentam a concentração de dopamina no cérebro. Quando o sistema dopaminérgico é ativado vez após outra pelo consumo repetido dessas substâncias, ele sofre modificações, de forma que passa a não funcionar mais quando a pessoa não está sob efeito da droga. Com isso, o usuário procura usar mais drogas – para tentar compensar esse déficit.

O que faz alguém se viciar em uma droga? Isso pode variar de pessoa para pessoa e de acordo com o tipo de droga. Mas, de modo geral, é preciso que a pessoa seja exposta à substância repetidamente. Mesmo nessas condições, nem todos os usuários se viciam. Porém cerca de 10% deles desenvolvem o vício depois de pouco tempo de uso. Nos casos em que isso ocorre, o usuário tem uma vulnerabilidade que pode ser de ordem biológica ou social. Isso significa que ele pode ter uma predisposição genética para o vício ou estar sob algum tipo de stress que ajudou a disparar o gatilho da adição. Os traumas mais potentes ocorrem na infância: abandono, repetidas negligências, abusos físicos, sexuais, convivência com pais presos ou portadores de doenças mentais. Mas é claro que nada disso resulta em vício se a pessoa não tiver acesso às drogas.

É possível curar o vício? Nós não podemos curá-lo atualmente, apenas tratá-lo. Quando você tem uma infecção bacteriana, toma um antibiótico e está curado. Agora, se você tem asma ou diabetes, tem de tomar algum tipo de medicamento ao longo de sua vida. É um tratamento para sua condição, não uma cura. Hoje, existem apenas tratamentos para o vício, que combinam medicamentos e terapias comportamentais. Estamos desenvolvendo uma vacina contra o vício de cocaína e nicotina, mas são apenas pesquisas ainda.

É possível, depois de se reabilitar, voltar a usar drogas sem se viciar? Há casos já identificados. Por muito tempo se disse, principalmente sobre o alcoolismo, que, se você é alcoólatra, nunca, mas nunca mesmo, poderá chegar perto de novo da droga. Em pesquisas, há evidências de que alguns alcoólatras conseguem voltar a beber um ou dois copos de vez em quando sem se viciar, mas eles são a minoria. O problema é que não sabemos quem será capaz de se ater a apenas alguns drinques e quem vai se viciar de novo, por isso recomendamos clinicamente que todos fiquem afastados da droga.

Está em curso no Brasil uma campanha para descriminalizar a maconha. A senhora concorda com isso? Não concordo porque, ao descriminalizar a maconha, você estará contribuindo para que mais gente a consuma. Há quem não fume por medo da repercussão negativa que a atitude pode provocar – e descriminalizá-la significa dizer: “Se você fumar, está tudo bem”.

Um grupo de pesquisadores brasileiros está discutindo a possibilidade de permitir o uso medicinal da maconha. Quais são os benefícios já comprovados da droga? As pesquisas mostram que os canabinoides, inclusive o THC, têm algumas ações terapêuticas úteis. Por exemplo, diminuem a resposta à náusea, o que é muito útil para pacientes com câncer que estão enfrentando uma quimioterapia. Outra vantagem comprovada é que eles aumentam o apetite e podem ajudar a combater a anorexia que acomete pacientes com doenças como a aids, por exemplo. Além disso, podem ter benefícios analgésicos e diminuir a pressão interna do olho, o que pode evitar um glaucoma. O que nosso instituto apregoa é que você pode ter o benefício dos canabinoides sem os efeitos colaterais que resultam do fumo da maconha, como a perda de memória, por exemplo. Por isso, estamos encorajando o desenvolvimento de medicamentos que maximizem as propriedades terapêuticas da droga sem seus efeitos danosos. No mercado americano, já existem algumas pílulas, como a Marinol, que permitem isso.

Em suas pesquisas a senhora descobriu que o córtex orbitofrontal, a principal área do cérebro afetada por quem tem transtorno obsessivo-compulsivo, também está ligado ao vício. É essa a chave da compulsão pelas drogas? Eu concluí que a pessoa viciada em drogas desenvolve uma obsessão e uma compulsão pela droga similares às daquela que tem transtorno obsessivo-compulsivo. O que o vício e o TOC têm em comum é que ambas as doenças afetam as mesmas áreas do cérebro, aquelas relacionadas aos hábitos e aos controles. Mas, embora o local afetado seja o mesmo e a apresentação dos sintomas se dê de forma parecida, os mecanismos que levam a essas anormalidades não são.

A senhora também estudou a função da dopamina em quem come compulsivamente. Que relações se podem fazer entre a obesidade e o vício em drogas? Ambos resultam em uma busca compulsiva por uma recompensa: no caso da obesidade é a comida e no caso da adição é a droga. Nos dois, há a perda de controle. Quem é patologicamente obeso come mesmo quando não quer. Podemos dizer que algumas pessoas parecem ser viciadas em comida, embora até o momento isso não tenha sido aceito nas comunidades clínica e científica.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse recentemente que o povo americano tem uma demanda insaciável por drogas. A senhora acredita que essa demanda é mesmo mais intensa nos EUA do que em outros países? O prazer oriundo das drogas é uma comodidade que você compra, como um luxo. Então há, sem dúvida, um elemento econômico nessa discussão. Também existem elementos relacionados à estrutura social e às normas. Os americanos são mais tolerantes em relação a comportamentos diferentes do que muitos outros povos. Isso resulta também em maior aceitação do uso de drogas. 

A senhora nunca sentiu vontade de experimentar alguma droga? Bebo de vez em quando um copo de vinho e experimentei cigarros quando era adolescente. Nunca usei cocaína, maconha nem outro tipo de droga ilícita. Amo meu cérebro e nunca pensei em estragá-lo.

Fonte: Revista Veja – Edição 2158 / 31 de março de 2010

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